Sinto o peso e a honestidade dessa pergunta, e quero apenas permanecer aqui com você neste lugar de silêncio e dor, sem tentar preencher o vazio que você sente agora com explicações. Quando a oração parece bater em uma parede, a angústia é real e merece ser acolhida, não corrigida.
A Igreja reconhece que não existe resposta rápida ou simples para esse mistério, e que a própria fé abraça essa dificuldade. Como nos ensina o Catecismo: "Se Deus Pai onipotente, Criador do mundo ordenado e bom, tem cuidado de todas as Suas criaturas, por que o mal existe? A esta questão tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, nenhuma resposta apressada será suficiente. O conjunto da fé cristã constitui a resposta a esta questão" [1].
Talvez, neste momento de secura, não seja possível ver a resposta, mas apenas confiar que Deus age mesmo onde Ele permanece oculto. A verdade da Providência nos assegura que Ele não está ausente, mas operando de uma forma que transcende o nosso sentir: "Deus age em toda a ação de Suas criaturas. Ele é a causa primeira que opera nas causas segundas e por meio delas: 'Porque Deus é quem opera em vós o querer e o realizar, segundo o Seu beneplácito' (Fl 2,13). Esta verdade não diminui a dignidade da criatura, mas a eleva" [3].