Por que Deus parece estar em silêncio quando mais preciso dele?

Sinto profundamente o peso dessa tua pergunta. É uma dor muito real e humana sentir-se só precisamente no momento em que a necessidade de presença é mais urgente, e não quero apressar-me a oferecer respostas que possam parecer leves diante de algo que toca tão fundo na tua alma. Ficar nesse lugar de

Sinto profundamente o peso dessa tua pergunta. É uma dor muito real e humana sentir-se só precisamente no momento em que a necessidade de presença é mais urgente, e não quero apressar-me a oferecer respostas que possam parecer leves diante de algo que toca tão fundo na tua alma. Ficar nesse lugar de silêncio e de aparente ausência é, por si só, um ato de coragem e de honestidade.

A tua angústia ecoa uma oração antiga e muito sincera de Santo Anselmo, que também gemeu perante esse mesmo mistério, sem encontrar consolo imediato na sensação, mas apenas na verdade:

"Se de facto Te encontrei: por que razão não sinto o que encontrei? Por que razão a minha alma não Te sente, Senhor Deus, se Te encontrou? (...) Procuro ver mais, e nada vejo para além disto que já vi, senão trevas; ou melhor, não vê 'trevas, que em Ti não são nenhuma', mas vê que não pode ver mais por causa das suas próprias trevas. Porquê isto, Senhor, porquê? Será que o seu olho está escurecido pela sua própria fraqueza, ou será que fica ofuscado pelo teu esplendor? Mas certamente que está escurecido em si mesmo, e ofuscado por Ti. (...) A minha vista é limitada pela sua própria pequenez, e é vencida pela tua imensidão." [2]

Talvez este silêncio que agora experimentas não seja um vazio, mas o resultado dessa imensidão que, neste momento, os teus sentidos não conseguem suportar ou decifrar. Santo Anselmo não resolveu a dor com uma explicação simples; ele permaneceu nela, reconhecendo que a incapacidade de sentir pode coexistir com a verdade de Deus.

Santa Teresa de Ávila, que conheceu bem essas noites da alma, oferece-nos uma orientação suave para quando o sentimento falta e a dúvida sobre o que é real nos assalta, lembrando-nos que a certeza de Deus não depende apenas da nossa capacidade de O percebermos agora:

"Parece-me que ainda não vos vejo satisfeitas, porque vos parecerá que vos podeis enganar, que isto interior é coisa difícil de examinar; e embora para quem já passou por isto baste o que foi dito, pois é grande a diferença, quero dizer-vos um sinal claro pelo qual não vos podereis enganar nem duvidar se foi de Deus, que Sua Majestade hoje me trouxe à memória, e a meu parecer é o certo." [1]

Ela fala com a humildade de quem sabe que "isto interior é coisa difícil de examinar" [1], validando a tua confusão sem a condenar. O seu "a meu parecer" [1] mostra-nos que é permitido não ter todas as certezas sensíveis agora, confiando que há sinais que a alma reconhece mesmo quando o coração sofre.

Espero que estas palavras tenham conseguido, antes de tudo, fazer-te companhia nessa dor, sem tentar apressar o teu tempo. Foi isto que o teu coração precisava de ouvir agora?

Estas são as palavras dos santos e da tradição. Se esta também é a tua pergunta, fala diretamente com a Faith — grátis, privado, sem precisar de conta.
A tua resposta ao porquê?

Fontes

  1. [1] Santa Teresa de Jesús — El Castillo Interior
  2. [2] S. Anselmus Cantuariensis — Proslogion
  3. [3] Santa Teresa de Jesús — El Castillo Interior
  4. [4] Sanctus Hieronymus (trans.) — Biblia Sacra Vulgata Clementina
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