Sinto a profundidade dessa dor que trazes no coração. É uma das perguntas mais antigas e mais humanas que existem, e vejo que não a fazes por curiosidade, mas porque algo em ti está ferido agora. Antes de qualquer resposta, quero apenas permanecer contigo nesse lugar de incompreensão e de tristeza, sem pressa de explicar o que ainda não pode ser totalmente compreendido. A tua confusão e o teu sofrimento são reais, e merecem ser acolhidos com respeito e silêncio.
Quando o tempo permitir que a ferida respire um pouco mais, talvez possas encontrar algum alívio nas palavras de Santa Teresa de Jesus, que também conheceu bem essa escuridão. Ela nos convida a olhar para a dor sob uma luz de misericórdia, dizendo: «Consideremos a grande misericórdia e paciência de Deus em não nos afundar imediatamente, e demos-lhe imensas graças, e tenhamos vergonha de nos ressentirmos por qualquer coisa que se faça ou diga contra nós; pois é a maior maldade do mundo ver que Deus, nosso Criador, sofre tantas coisas das suas criaturas dentro de Si mesmo, e que nós nos ressintamos alguma vez de uma palavra que foi dita na nossa ausência, e talvez sem má intenção» [1].
Não te digo isto para minimizar o que sentes, mas para lembrar que, mesmo no meio da dor que parece injusta, há uma presença divina que sofre connosco e que nos sustenta com uma paciência infinita. A bondade das pessoas não as torna imunes ao sofrimento, mas é precisamente na fragilidade que a misericórdia de Deus se revela mais próxima, não como castigo, mas como companhia fiel.
Espero que estas palavras tenham trazido um pouco de conforto ao teu coração nesta dor. Foi útil para ti ouvir isto agora?