O sentido da fé, tal como nos é apresentado, não é primeiramente uma ideia ou um sistema, mas uma resposta viva a Alguém que se dá a conhecer. O Catecismo ensina-nos que «a fé é a resposta do homem a Deus, que a ele se revela e se dá, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante para o homem em busca do sentido último da sua vida» [1]. A religião e a fé existem, portanto, não como um peso acrescentado à existência, mas como o encontro com essa luz que ilumina precisamente a procura que trazes no coração.
E essa procura não é um acaso; ela é constitutiva do que somos. Talvez ressoe em ti ouvir que «o desejo de Deus está inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus; Deus não cessa de atrair o homem a Si e só em Deus é que o homem encontrará a verdade e a felicidade que procura sem descanso» [3]. O sentido profundo da fé é permitir-te reconhecer essa atração e viver plenamente na verdade, pois «a razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o início da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois não existe senão porque, criado por Deus por amor, é conservado sempre por amor; e não vive plenamente segundo a verdade se não reconhecer livremente esse amor e se não entregar ao seu Criador» [3].
Tudo isto, contudo, converge para um fim que não é abstracto, mas é o próprio amor. Como nos recorda um princípio pastoral do Catecismo Romano, «esta é certamente a via mais excelente [...] de tal modo que tudo o que se propõe para crer, para esperar ou para fazer, deve sempre recomendar a caridade de Nosso Senhor, de maneira que todos vejam que todas as obras da perfeita virtude cristã não têm outra origem senão o amor, nem outro fim senão o amor» [2].
Espero que estas palavras tenham tocado aquilo que o teu coração buscava formular. Foi esta resposta ao encontro do que te movia a perguntar?