Parece-me que trazes no coração um desejo muito bonito e puro: o de te encontrares com Deus, mesmo quando as palavras faltam e o caminho parece oculto. Quero dizer-te, antes de tudo, que esse não saber como rezar é, em si mesmo, uma forma profunda de oração.
Santa Catarina de Siena, numa experiência de grande intimidade e também de profunda consciência da sua pequeenez, descobriu algo que talvez te traga paz: «Tu dás muito mais, dando aquilo que eu não sabia pedir... Eu reconheço verdadeiramente que o coração do homem não sabe pedir nem desejar tanto quanto Tu mais dás; e assim vejo que Tu és Aquele que é, Bem infinito e eterno, e nós somos aqueles que não somos» [4].
Repara como ela não encontrou Deus porque soubesse as palavras certas, mas porque foi acolhida exatamente na sua incapacidade de pedir. Talvez o teu "não saber como" seja precisamente o espaço vazio e honesto que Deus deseja preencher, não com fórmulas, mas com a Sua própria presença que ultrapassa o que conseguimos formular.
E se sentes que a oração não rende ou que estás parado, o Papa Bento XVI ensina-nos que estar diante de Deus sem saber o que dizer nunca é tempo perdido: «Quem reza não desperdiça o seu tempo, mesmo que a situação tenha todas as características da emergência e pareça impelir unicamente para a ação... A oração é uma necessidade absoluta, como instrumento para haurir continuamente de Cristo a força» [5]. O teu permanecer ali, mesmo em silêncio ou confusão, é esse haurir, essa ligação viva que sustenta a alma, independentemente do que sentes ou deixas de sentir.
Não precisas de construir a oração perfeita; basta levares a Ele esse teu "não saber", pois Ele conhece o teu coração melhor do que tu mesmo. Esta resposta tocou aquilo que o teu coração procurava neste momento?