Sinto o peso dessa pergunta e o cansaço que ela carrega. Quando a vida parece vazia, o sentido não é algo que se encontre como um objeto perdido, mas algo que se busca no meio da própria neblina, e talvez o primeiro passo não seja resolver esse vazio, mas simplesmente consentir em habitá-lo por um momento, sem pressa de preenchê-lo com respostas que ainda não chegaram. Fico aqui contigo nesse lugar de incerteza.
Nessa travessia, pode ser que o vazio doa não porque seja uma ausência definitiva, mas porque ele convida a perguntas que as satisfações superficiais já não conseguem calar. O Papa Francisco nos lembra que, diante dessa experiência, somos chamados a uma investigação mais profunda do nosso ser:
«Para não nos contentarmos com satisfações efêmeras e para não vivermos uma vida de aparência diante dos outros, é melhor que surjam perguntas mais essenciais: quem sou eu verdadeiramente? O que procuro? O que revelam a minha vida, as minhas escolhas ou as minhas ações? Por que razão estou neste mundo? Como avaliarei a minha existência quando chegar ao fim? O que significam todas as coisas que vivencio? Quem quero ser diante dos outros? Quem sou diante de Deus?» [2]
Essas interrogações não são um exame para medir o teu fracasso, mas um convite suave para regressar ao coração, que é o lugar onde o sentido se enraíza e donde brota a unidade da nossa história, mesmo quando tudo parece fragmentado ou sem cor.
Às vezes, o que sentimos como aridez ou falta de consolo pode ser, misteriosamente, um tempo de formação e de verdade, e não apenas um castigo ou um sinal de abandono. Santo Afonso Maria de Ligório ensina que perseverar nesse silêncio tem um valor próprio:
«Mas é preciso pensar que nem sempre a aridez é castigo, mas às vezes é disposição de Deus para nosso maior proveito, e para nos conservar na humildade. [...] Quem faz oração com doçuras, não faz grande coisa. [...] Quando Deus manda escuridão e desolação, então Ele prova os seus verdadeiros amigos. [...] Dizia São Francisco de Sales que, se na oração não fizéssemos outra coisa senão expulsar distrações e tentações, mesmo assim a oração estaria bem feita. Mais ainda, diz Taulero que, a quem persevera na oração com aridez, Deus fará uma graça maior do que se tivesse orado muito com muita devoção sensível.» [4]
Não precisas forçar um sentimento que não existe agora; a fidelidade no escuro, o simples permanecer, já é uma forma de amor e de busca.
Espero que estas palavras tenham, de algum modo, acolhido a tua dor e oferecido uma luz mansa para este momento. Isso tocou o que precisavas ouvir hoje?